Arquivo do mês: julho 2010

A única testemunha

A chama das velas e o perfume delicado do incenso imperam no ambiente; a sensualidade e a magia tomam formas na nudez dos corpos; o beijo apaixonado arde ao toque dos lábios e as suaves mordidas saciam a fome intensa da paixão;

Uma única testemunha revela os segredos e grava cada minuciosidade de movimento; o flamejar das luzes refletem no espelho uma dança de sombras que se misturam; a idêntica tonalidade de pele mistura os corpos em uma única criação;

O espelho vitoriano revela à penumbra a sensação de ser visto; uma tímida bisbilhotada; uma pequena espreitada; se revela uma insinuante janela que não para mais de ser observada; um quadro em movimento cheio de desejo e prazer que não cansa de ser visto;

A cada nova imagem naquele quadro, detalhes são gravados; de testemunha se torna cúmplice de uma paixão; participa, opina, revela; se faz tão desejado que não há mais como desviar os olhares; não há como não desejar ver e ser visto;

Como em uma dança em que cada movimento conta; sob os olhares atentos daquela única testemunha; um show de performace se apresenta para uma seleta platéia; sedução e perversidades se desprendem ao ritmo quente das chamas flamejantes;

Os corpos exauridos se abatem sobre a maciez; o brilho acetinado conforta sua criação ensandecida de sensualidade; as sombras das velas de aquietam; a cumplicidade daquele espelho agora apenas observa; única testemunha que tudo gravou; agora apenas desfruta da sua magia de movimentos; e contempla o amor daqueles corpos que juntos sonham abraçados!

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