Arquivo do mês: junho 2011

Doces olhares

O doce olhar de uma criança que já vislumbra as descobertas da adolescência, sem medo de ser feliz, tentando disfarçadamente não deixar ser percebida, não talvez pelo seu alvo de encanto, mas pelos adultos que espreitam os movimentos dos seus olhos ávidos pela descoberta.

É assim descrevo o prólogo da descoberta sobre a faceta pré-adolescente da pequena Gigi, que agora divide seus encantamentos infantis com o fascínio do sentimento desconhecido que tão logo imagine tomará as formas mais diversas em seu coração.

Uma breve parada numa lanchonete, seus olhos desatenciosos apenas pairavam enquanto mordiscava o lanche. Por um momento achei que aquele lanche não a estava agradando e indagando sobre isso, fui prontamente repreendido pela Dani, que só então me fazendo notar o quão tolo estava sendo.

Nada tinha haver com o lanche ou seu gosto. Nada disso. Na realidade não havia desatenção em seu olhar, muito pelo contrário, atenção àqueles olhinhos vidrados é que não faltavam, pois bem ali próximo um grupo de garotos também estavam almoçando. Provavelmente nenhum deles deve ter notado aqueles olhinhos da pequena Gigi, mas eu notei. Divertimos-nos observando aquela dança divertida de olhar, que ora percorriam o salão panoramicamente sem não antes ficar estancado por segundos nos garotos. E a brincadeira continuou sem nem notar que aos poucos seu lanche se findava. Ela notava nossos sorrisos e marotamente disfarçava questionando se havia algo errado. E em segundos seus olhos voltavam a dançar pelo salão.

E assim foi até que os garotos fossem embora, mas para minha surpresa até uma olhada para trás a pequena Gigi deu. Ao invés de ser avassalado por ciúmes fiquei encantado de presenciar tal encantamento e sorri profundamente para a Dani.

Mas bastaram pouquíssimos minutos para minha pequena voltar à infância novamente, implorando para poder ir brincar com a irmã nos brinquedos ali dispostos na lanchonete…

3 Comentários

Arquivado em Cotidiano, Urbano

O que é o amor?

O que é o amor? Um dia eu achei que ele existia, mas descobri que ele era irreal e falso! Depois eu descobri o verdadeiro amor, aquele incondicional, de pai para filho. Esse sim é verdadeiro e imortal, mas ainda assim ele é diferente.

E onde está o que chamamos de amor? Bem talvez no momento em que mais tive certeza que ele era somente um estado de espírito e que jamais eu seria enganado por isso, foi quando eu errei.

Ah o destino! Tão engraçado que talvez no dia em que tudo devesse ter dado errado, ele apenas cruzou os caminhos. Uma borboleta belíssima veio e apenas me ensinou a voar… ensinou-me a voar alto; ensinou-me a acreditar… mostrou-me caminhos belos, caminhos ousados e fantásticos; ensinou-me a ter prazer em voar alto e conhecer um mundo; ensinou-me a querer ver o mundo; ensinou-me sobre os prazeres da vida; ensinou-me a sentar e somente ver o tempo passar; ensinou-me apenas desfrutar um pouco mais da vida. O novo mundo que ela me apresentou apenas me fez ver que eu nada sabia sobre o que era viver a felicidade. Mas além do novo mundo que ela me abria a cada novo vôo ela também me ensinou a ser eu! Ela me ensinou a mostrar ao mundo o meu jeito, expor a minha face e não ter medo de guardá-la só para mim. Ensinou-me a ter minha autenticidade e dizer simplesmente quem eu era. Aos poucos as cores tomaram formas para mim. Ela ensinou a me defender de tudo e até mesmo de mim. E quando tudo parecia que em ruínas ela me ajudava a arrumar.

Mas aquela borboletinha incrivelmente maravilhosa de alguma forma se prendeu ao meu jardim. Por mais belos e longínquos que eram nossos vôos nos sempre voltávamos e aprisioná-la ao meu jardim já não era mais correto. Ela sempre amava me fazer voar e eu a ela, mas o sol já não mais brilhava intensamente em teu sorriso! E o belo sorriso da borboletinha foi se perdendo e se perdendo…

Os meus erros foram um castigo! A minha vida foi um erro! E a borboletinha do meu jardim foi ficando triste e mais triste. Por mais que eu pensasse, eu simplesmente sabia que eu nunca teria coragem de sair do meu jardim e voar os vôos mais altos que trariam a felicidade pura minha delicada borboletinha.

Então por amor eu aprendi a voar; então por amor eu também precisei libertar. Eu tinha que deixar a minha linda borboleta voar para longe. Quão cruel seria eu tirar a felicidade de quem me ensinou a felicidade? Então eu aprendi sobre o amor! Então eu perdi o amor…

O amor dói e é uma dor profunda que sangra e não para… não há remédio e não há cura. Aos olhos a cura pode estar simplesmente ali, mas as cicatrizes e marcas do passado jamais permitirão isso aos fracos. Então eu perdi o amor… eu perdi para o amor…

Olho para meu jardim… ele já não floresce mais… olho para o céu e vislumbro o quanto ele irá brilhar o sonho de um outro sonhador e fazer florescer o jardim que a bela borboleta um dia pousar.

Não acreditar no amor é exatamente com morrer, mas morrer não significa deixar de amar,  eternizei, por isso sempre…

7 Comentários

Arquivado em Amor