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1ª Teoria de Edu

Expediente do fechamento bancário na agência bem no centrão de São Paulo, um ambiente de loucura total onde um quadro de funcionários totalmente de homens para evitar desagrado a qualquer mulher que ali pudesse se ofender ante as atitudes tempestuosas de palavrões e muros sobre a mesa que era constante devido as falhas de contabilidades e somatórias…

Lá pelos idos dos anos 90, esse era o cenário perfeito para a rapaziada organizar e marcar um futebolzinho aos finais de semana, sem qualquer compromisso. Mesmo aqueles mais pernas-de-pau iam para correr atrás da pelota… e foi nesses termos que organizaram um joguinho de Futebol de Campo, pois até então só haviamos jogado futebol de salão ou society de areião.

Durante os dias que se passavam, todos só falam sobre o tal jogo e sobre o local onde seria: um clube com vários campos gramados ao lado da ponte Cidade Jardim. Sem conhecer muito a região e por muito ouvir falar dela, logo fiquei imaginando aquele super campo gramado, verdinho e lindo… me sentia como se fosse jogar em um verdadeiro estádio de futebol. A ansiedade só crescia durante a semana. No sábado marcado, chegando ao clube, fomos entrando e vendo que os campos eram bem legais mesmo até que o organizador indicou que nosso campo reservado estava lá no fundo… lá no fundo!!!

11-2E foi ver para ter uma imensa decepção. Terrão puro! Duro e esburacado e ainda nas laterais, lama a valer. As traves eram de madeira, vigas quadradas e nem redes tinham. O vestiário uma casinha que mais parecia uma maloca! E eu só conseguia pensar “Deus, que merda é essa… onde fui me meter…”. Nem precisa falar, a bola rolou e eu nem tinha vontade de correr atrás dela tamanha a decepção. Não joguei, fiquei somente vagando em campo, meio barata tonta, sem ânimo, sem vontade! Depressão total… afinal eram vários campos gramados e só o nosso que era deplorável!

Na segunda os comentários pitorescos das jogadas inusitadas eram abafadas pela gozação geral sobre o estado catastrófico do campinho.

Passaram-se algumas semanas e lá veio a turminha do futebol agitar um novo jogo. O local?? O mesmo… Meu Deus! A galera falava, agitava e zoava com cada buraco daquele campo (se é que podíamos chamar de campo), mas todos iam afinal já sabiam o que os esperava. Mesmo à revelia do meu ser resolvi aderir à caravana e me divertir. Fui com o melhor pensamento possível para tirar o devido proveito daquilo tudo, ou seja, zoar muito, por pior que fosse.

Chegando ao nosso destino, posso dizer que as coisas não haviam mudado muito, porém agora as traves eram de ferro e redondas, com rede e o terrão já não estava tão esburacado como antes. Eu especialmente fui esperando o pior e encontrei algo muito melhor, totalmente o oposto do que a primeira vez. Nesse dia meu futebol foi diferente e rendeu muito, alias poderia ali ter ficado jogando o dia todo, mesmo sabendo que depois ainda precisaria encarar uma longa viagem de ônibus para casa.

Não demorou muito para eu refletir sobre tudo o que havia acontecido em ambas as situações e criar dentro da minha cabeça a `Teoria do Campo de Futebol`, que consiste basicamente em esperar sempre pelo pior de tudo, sem criar expectativas, ilusões e ansiedades, pois tudo que sair além do  esperado, sempre será ótimo.

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