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Doces olhares

O doce olhar de uma criança que já vislumbra as descobertas da adolescência, sem medo de ser feliz, tentando disfarçadamente não deixar ser percebida, não talvez pelo seu alvo de encanto, mas pelos adultos que espreitam os movimentos dos seus olhos ávidos pela descoberta.

É assim descrevo o prólogo da descoberta sobre a faceta pré-adolescente da pequena Gigi, que agora divide seus encantamentos infantis com o fascínio do sentimento desconhecido que tão logo imagine tomará as formas mais diversas em seu coração.

Uma breve parada numa lanchonete, seus olhos desatenciosos apenas pairavam enquanto mordiscava o lanche. Por um momento achei que aquele lanche não a estava agradando e indagando sobre isso, fui prontamente repreendido pela Dani, que só então me fazendo notar o quão tolo estava sendo.

Nada tinha haver com o lanche ou seu gosto. Nada disso. Na realidade não havia desatenção em seu olhar, muito pelo contrário, atenção àqueles olhinhos vidrados é que não faltavam, pois bem ali próximo um grupo de garotos também estavam almoçando. Provavelmente nenhum deles deve ter notado aqueles olhinhos da pequena Gigi, mas eu notei. Divertimos-nos observando aquela dança divertida de olhar, que ora percorriam o salão panoramicamente sem não antes ficar estancado por segundos nos garotos. E a brincadeira continuou sem nem notar que aos poucos seu lanche se findava. Ela notava nossos sorrisos e marotamente disfarçava questionando se havia algo errado. E em segundos seus olhos voltavam a dançar pelo salão.

E assim foi até que os garotos fossem embora, mas para minha surpresa até uma olhada para trás a pequena Gigi deu. Ao invés de ser avassalado por ciúmes fiquei encantado de presenciar tal encantamento e sorri profundamente para a Dani.

Mas bastaram pouquíssimos minutos para minha pequena voltar à infância novamente, implorando para poder ir brincar com a irmã nos brinquedos ali dispostos na lanchonete…

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Essas palavrinhas…

Novamente lá estava eu, em meio ao transito caótico da metrópole, sempre se livrando dos infortúnios dos péssimos condutores e a má engenharia de tráfego a qual estamos inerentes. Sinceramente eu acho que estou vivendo em linhas contrárias, pois quanto mais imprudência eu vejo, menos paciência eu tenho.

E foi justamente por uma dessas faltas de paciência que ocorreu um fato muito engraçado, bastou um desses condutores imprudentes fazer uma tremenda besteira no transito para que eu tivesse vontade de explodir aos brados, porém antes de pronunciar caóticos palavrões, lembrei imediatamente que estava com a Gigi e a Giuli no carro, e isso foi a fração de segundos que me fez segurar por instantes meu brado. Mas aquilo ficou entalado na garganta o que me fez descarregar toda aquela energia apenas pronunciando uma palavra em voz branda: “Prostituto!!!!”.
Realmente achei que na hora essa palavra não faria o menor efeito possível, porém para minha surpresa e um acordo monetária o qual fiz com minhas pequenas (a cada palavrão pronunciado eu daria 50 centavos para elas) houve uma ligeira discussão no carro: A Gigi muito esperta denunciou na hora “Você falou um palavrão!!”. Antes mesmo que eu pudesse argumentar algo fui prontamente defendido pela pequenina Giuli “Não é não!”. Fiquei surpreso.

Mas a Gigi não se deu por vencida, e voltou a afirmar que era, sendo novamente repreendida pela Giuli, que se seguiu de uma notável e hilária explicação “Não é não, você não se lembra que nos fomos outro dia passear lá no Prostituto… Prostituto Butantã??” Nem preciso dizer o quando nos deliciamos em gargalhadas no carro e magicamente todo nervosismo já havia dado lugar para o bom humor de todos e ainda acabei economizando 50 centavos.

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Vida Urbana

Apenas um dia comum da metrópole. Pessoas indo e vindo para todos os cantos, contracenando com a grande quantidade de carros de uma cidade que nunca para. O sinal fecha e os carros param, emparelhando-se um a um.

Num típico emparelhamento desses, duas lindas amigas que dividiam a corona na volta do trabalho observam no carro ao lado dois homens muito bem aparentados e com muito estilo. Obviamente que as duas garotas começaram imediatamente a ter aquela inquietação típica, comentários discretos e tentando de uma maneira não muito extravagante chamar a atenção dos rapazes. Foram tantos sorrisinhos e comentários que enfim um dos rapazes notou as garotas e com um breve aceno de cabeça sorriu cordialmente de volta para as meninas.

Aquele gesto foi tudo que elas precisavam para se inquietar ainda mais e quando o farol abriu decidiram seguir o carro dos rapazes.

Pobres coitadas, toda aquela inquietação e sorrisos de nada demoraram a fazer as solteironas ficarem estáticas e abismadas em segundos… ahhh esses adesivinhos de famílias felizes!!

***

Poucas quadras daquele local, o transito intenso em uma avenida, provocava uma situação quase que similar. O jovem rapaz notou no carro ao lado uma mulher toda entusiasmada e com um sorriso um tanto quando mal intencionado.

Por um momento o rapaz não acreditava naquela cena, pois era praticamente algo que só se via em filmes. O flerte foi tão intenso quanto o transito que havia que ate algumas palavras foram trocadas e isto bastou para que decidissem parar um pouco a frente para um cafezinho e assim também esperar o trânsito melhorar.

Decidido que aquele era seu dia de sorte, o rapaz sinalizou que seguiria sua admiradora assim que o trafego fluísse, algo que não demorou muito a acontecer e poucos metros dali a mulher notando uma rua tranquila nos Jardins com vários cafés imediatamente deu seta e entrou à direita. O rapaz decidido não pensou duas vezes, também deu seta só que desta vez para a esquerda e assim seguiu seu caminho, afinal ele chegou à conclusão que não queria aumentar ainda mais aquela prole, ou mesmo fazer parte dela… ahhh esses adesivos!

***

Naquela mesma tarde, num barzinho qualquer da cidade, a galera vai de reunindo para aquele Happy Hour, afinal depois do dia de trabalho, nada melhor que dar uma esticadinha para um drink.

Entre um drink e outro, uma gatinha nota na mesa ao lado um bem aparentado rapaz, provavelmente um emergente executivo boa pinta, com sua gravata levemente afrouxada, mas ainda assim mantendo a postura, divertindo-se em gargalhadas com os amigos de escritório.

Furtivamente o rapaz notou a gatinha e começou utilizar-se de todo seu repertório de cantada para logo se engraçar para o lado dela. Papo vai, papo vem, logo a hora vai passando e o momento de ir se torna um ávido e gentil convite para uma carona, que é aceito prontamente pela gatinha.

Logo chega o manobrista, entregando a chave daquele maravilhoso carro Super Sport novinho e logo veio aquele sorriso imenso da gata. Apreciando detalhadamente aquele brilhante carrão enquanto ia para a porta do passageiro, ela pergunta sorrindo ainda “Nossa!!! Que carro lindo… ele é seu mesmo?” e tranquilamente ele faz um aceno positivo com a cabeça e ainda complementa: “Comprei no mês passado”.

Neste exato instante um taxi que vinha passando é repentinamente parado por ela, que entra no mesmo e vai embora apenas com um sorriso no rosto e sem deferir uma só palavra. O jovem executivo sem entender nada fica ali estancado com cara de bobo, quando nota vagamente um sorriso irônico do manobrista que continha uma provável risada.

O rapaz transcorre o olhar umas duas vezes para o carro, porém agora com cara de poucos amigos, e de repente se surpreende e num sobressalto se coloca dentro do carro e sai fritando os pneus de tamanho embaraço… ahhh esses adesivinhos!!!!

***

Agora você deve estar pensando se deve ou não arrancar os adesivinhos do carro??

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A vingança da minha Mãe…

Depois da última historinha de infância que eu relatei, muitos me perguntaram o quão santinho eu devia ser… pois bem, a vingança veio pela minha própria Mãe (quem diria hein!) que postou comentário sobre uma das minhas centenas de artes… vai aqui então o relato pelas próprias palavras dela! Meu lado malévolo…

Olha só, quem rir está perdido, hein!

“Certa vez eu tive que sair para fazer alguma coisa que não me lembro bem o que era, mas tive que deixar você (eu) e suas irmãs, sozinhos.

Onde eu fui não era muito longe, e vocês não eram tão pequenos como na história anterior. A vizinha foi chamada (ela não foi bem chamada, ela apareceu pelos gritos das minhas irmãs), e você estava no chão com uma faca enterrada no braço, toda cheia de sangue… ela ficou muito assustada depois que suas irmãs começaram a chorar.

Na realidade a faca estava no sovaco, e o sangue era Catchup (groselha, porque eu nem gostava do cheiro de Catchup).

E eu só fiquei sabendo dessa história quando vocês já eram grandes (ainda bem, senão…kkk).”

Pela minha Mãe (com as devidas correções atemporais).

Cruel isso hein!

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Brincadeira de criança

Um dia desses me ocorreu um evento que aconteceu há muito… muito tempo atrás…

Minha mãe sempre foi uma pessoa muito prendada e cuidava com extremo zelo da nossa casa. Dentre suas rotinas de limpeza, periodicamente ela passava cera nos pisos da cozinha e logo em seguida usava a enceradeira para deixá-lo lustroso. Morávamos em um sobrado, daqueles antigos, cuja cozinha era imensa. Obviamente que não lembro com os detalhes exatos, mas certo dia enquanto minha mãe assistia a novela da noite, surge a porta que ligava a sala a cozinha minha irmã, com seus 2 ou 3 anos de idade, completamente lambuzada de margarina até o cabelo, e feliz da vida anunciando para minha mãe: “cabei… cabei”.

Minha mãe surtou daquele tipo “O que você fez?”… tal espanto me fez disparar como um foguete para ver o que havia acontecido, e ao primeiro passo no piso da cozinha foi o mesmo que pisar no gelo… escorregando até a outra ponta da cozinha!

Sim! Minha irmã havia realmente acabado com dois potes inteiros de margarina de 1 kg, encerando, ou melhor, “untando” todo o chão da cozinha! Com certeza minha mãe devia estar chorando, ou quase… pior que isso agora eu estava untado também. Pelo menos no que diz respeito a “deixar liso” o efeito foi praticamente idêntico ao da cera.

Engraçado ver minha mãe contando, que ela colocou, eu e minha irmã, sobre a mesa da cozinha, só que como estávamos meio “amanteigados”, ela não sabia se limpava o chão ou nos segurava para não cairmos…

***

Ainda houve uma vez em que minha irmã resolveu ajudar a minha mãe mais uma vez e lavou a roupa no vaso sanitário do banheiro… até que tudo bem, se não fosse contar que a roupa já estava lavada e passada, apenas esperando para ir para as gavetas…

Definitivamente naquela época minha mãe não devia compartilhar do ditado popular “toda ajuda é bem vinda”!

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Takes de Férias

Infelizmente minhas férias acabaram, talvez um tanto frustrada pelas primeiras semanas de intenso frio e chuva, mas por outro lado maravilhosa por ter dividido cada momento com a Gigi e a Giuli.

Agora um silêncio triste paira sobre o apartamento e faz com que meus olhos embacem facilmente e um nó na garganta trave minha respiração… cada pecinha bagunçada ou caída… cada papelzinho perdido da chuva de papel picados que recebi nessa manhã de dia dos pais me faz relembrar aqueles rostinhos sapecas que tanto me alegraram nesses dias, me estressaram às vezes, me tiraram do sério em outros momentos, mas que fazem parte da felicidade que os filhos proporcionam para nós e sem pedir licença apenas tomam nossos corações e nossas vidas fazendo dela uma imensa brincadeira de criança.

Vou sentir muita falta disso tudo… Snif!

***

E junto com o fim das férias está chegando o calor… para me frustrar mais ainda!

Por outro lado a Gripe A ou H1N1 ou ainda a chamada ‘suína’  também está com seus dias contados… contagem regresssiva para o dia 17… mas exatamente porque dia 17??? É como se ela estivesse com o prazo de validade estipulada como nos iogurtes, leites, etc. e  depois disso apenas não oferecesse mais perigo e tudo poderá voltar ao normal.

Só me pergunto, depois do surto da Vaca Louca, gripe aviária e gripe suína, qual será o próximo animal que será usado como ‘bode’ espiatório???

***

E falando em data de validade, por um infortúnio precisei ir ao cemitério do Araça recentemente e me deparei com uma imensa placa de com uma contagem regressiva de dias e horas para “São Paulo respirar melhor”, que certamente fazia uma alusão a data em que a lei anti-fumo entraria em vigor.

Eu tenho muito, mas muitos amigos fumantes e sempre me dei muito bem estando com eles, mas a verdade é que essa lei é realmente algo de bom para todos aqueles que não fumam e verdadeiramente poderão respirar um pouco melhor nos ambientes fechados e com certeza sair menos defumados desses lugares.

***

Com certeza certas atitudes estão melhorando um pouco mais as condições de uma grande metrópole como São Paulo, como a remoção do excesso de poluição visual, rodízio, lei anti-fumo… mas em contra partida parece que nossas autoridades começam a surtar em outros sentidos, como é o exemplo da lei contra os fretados… será que os caras estão ficando loucos??? Afinal os fretados devem tirar diariamente milhares de carros que estariam as ruas… é só imaginar um Fretado de 44 lugares trocados por 44 carros a mais na Avenida Paulista! Pode? Simplesmente insano.

***

Então vamos resumir… A gripe nos impede de ir aos lugares; os fretados não podem mais nos levar aos lugares; fumantes são proíbidos nos lugares… então o jeito é ficar em casa… Alugue um filme e reze para a Speed não sobrecarregar!

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Com Chicote

Lá estávamos nós começando nossa série de passeios culturais de férias, comendo um belo pedaço de pizza e divagando sobre quais filmes iríamos assistir durante as férias, quando surgiu o nome de “Coraline” e quase que instantaneamente a Giuli anunciou que tinha assistido e complementou que a mãe dela tinha o filme e – “… ele é Pirata… e sabe Pirata não é legal… é proibido… mas eu assisti!”. Fantástico aquela pequenininha ali me ensinando o que era contravenção… Fascinante!

Mas não parou por ai, e continuou a pequena – “… ela também tem pirata Alice no País das Maravilhas… com chicote…”?? – opsss para tudo!! – “Com chicote??? Que filme é esse??? Me empresta??” – perguntei pensando que tipo de filme seria esse… talvez a nova versão do Tim Burton? Talvez…

Bastou alguns segundos para a Gigi desvendar o mistério que tomou conta de nós – “Don Quixote, menina…” – e a Giuli não deixou por menos – “… isso mesmo ´Conde Xote´!” – e foi risada para todo lado…

Dom Quixote Conjunto Naciona

Irônica e coincidentemente, poucos minutos depois adentrando ao Conjunto Nacional para nossa surpresa nos deparamos com uma imensa escultura de Don Quixote totalmente feita de sucata e eu fui logo anunciando para a Giuli – “Olha, aquele é o Com Chicote, digo Don Quixote”.

promo

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