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O que é o amor? (parte II)

Os dias seguiram-se sombrios. Eu não conseguia mais ver algo, apenas sentir uma profunda dor esmagando qualquer sentimento que eu pudesse ter.

Eu andei ao esmo pelas sombras, caminhava apenas por ai, tentava encontrar alguma coisa que me acordasse, mas tudo que eu tentava achar era uma luz na sombra. Eu tentei voar apenas para reeditar os caminhos que tanto me fizeram feliz, mas apesar de conhecer os caminhos, eles não mais pareciam os mesmos. Algo apenas não fazia sentido e nenhum lugar era confortável o suficiente para que eu somente sentasse e olhasse… ao invés disso eu ficava ando de lá para cá procurando ver a silueta daquela minha borboletinha que eu simplesmente havia deixado. Ela se foi e eu havia ficado com a sua felicidade e ela com a minha…

Quando eu havia conhecido aquela minha borboletinha eu havia vislumbrado um brilho tão especial em seu sorriso, suas cores vivas e cativantes, algo raro que dificilmente se encontra no mundo. Mas com o passar do tempo os erros foram com um veneno para aquela pequena e seu sorriso e suas cores foram sendo sucumbidas por uma camada de algo sem vida, cinzenta e triste.

Eu sabia de alguma forma que eu precisava ver novamente aquela pequena borboleta, que fosse apenas mais uma única vez, mas eu sabia que precisávamos ambos disso. E eu consegui finalmente reencontrá-la.

A tristeza que havia se abatido sobre aquela delicada criatura era mais dolorosa que qualquer coisa. Minha cabeça era uma tormenta de idéias confusas e dor. E aquele ser tão maravilhoso diante de mim, nada se parecia com a minha borboletinha! Mas eu a contemplei por um tempo, e contemplei mais um pouco; ofereci meu ombro para ela repousar um pouco e nesse exato momento eu vi um brilho…

Aquela crosta cinzenta e triste ainda permanecia lá, talvez ainda mais dura do que nunca… mas toda a dureza dela de alguma forma havia a feitoela rachar-se inteira e dos pedaços caídos surgia uma cor mais linda e mais vibrante do que qualquer coisa que eu já havia visto! Suas lágrimas pareciam limpar ainda mais a truculência daquela camada horrível que ali havia se formado…

Então eu descobri que nós precisávamos dar as mãos para seguir por um novo caminho, belo e oculto o qual nós apenas nunca tínhamos tido a coragem de trilhar e voar antes… mas agora tínhamos certeza que nós conseguíramos de segurássemos fortemente um ao outro.

E minha pequena borboleta voltou a iluminar o meu jardim, dessa vez até onde a felicidade nos levar! Para sempre…

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Doces olhares

O doce olhar de uma criança que já vislumbra as descobertas da adolescência, sem medo de ser feliz, tentando disfarçadamente não deixar ser percebida, não talvez pelo seu alvo de encanto, mas pelos adultos que espreitam os movimentos dos seus olhos ávidos pela descoberta.

É assim descrevo o prólogo da descoberta sobre a faceta pré-adolescente da pequena Gigi, que agora divide seus encantamentos infantis com o fascínio do sentimento desconhecido que tão logo imagine tomará as formas mais diversas em seu coração.

Uma breve parada numa lanchonete, seus olhos desatenciosos apenas pairavam enquanto mordiscava o lanche. Por um momento achei que aquele lanche não a estava agradando e indagando sobre isso, fui prontamente repreendido pela Dani, que só então me fazendo notar o quão tolo estava sendo.

Nada tinha haver com o lanche ou seu gosto. Nada disso. Na realidade não havia desatenção em seu olhar, muito pelo contrário, atenção àqueles olhinhos vidrados é que não faltavam, pois bem ali próximo um grupo de garotos também estavam almoçando. Provavelmente nenhum deles deve ter notado aqueles olhinhos da pequena Gigi, mas eu notei. Divertimos-nos observando aquela dança divertida de olhar, que ora percorriam o salão panoramicamente sem não antes ficar estancado por segundos nos garotos. E a brincadeira continuou sem nem notar que aos poucos seu lanche se findava. Ela notava nossos sorrisos e marotamente disfarçava questionando se havia algo errado. E em segundos seus olhos voltavam a dançar pelo salão.

E assim foi até que os garotos fossem embora, mas para minha surpresa até uma olhada para trás a pequena Gigi deu. Ao invés de ser avassalado por ciúmes fiquei encantado de presenciar tal encantamento e sorri profundamente para a Dani.

Mas bastaram pouquíssimos minutos para minha pequena voltar à infância novamente, implorando para poder ir brincar com a irmã nos brinquedos ali dispostos na lanchonete…

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O que é o amor?

O que é o amor? Um dia eu achei que ele existia, mas descobri que ele era irreal e falso! Depois eu descobri o verdadeiro amor, aquele incondicional, de pai para filho. Esse sim é verdadeiro e imortal, mas ainda assim ele é diferente.

E onde está o que chamamos de amor? Bem talvez no momento em que mais tive certeza que ele era somente um estado de espírito e que jamais eu seria enganado por isso, foi quando eu errei.

Ah o destino! Tão engraçado que talvez no dia em que tudo devesse ter dado errado, ele apenas cruzou os caminhos. Uma borboleta belíssima veio e apenas me ensinou a voar… ensinou-me a voar alto; ensinou-me a acreditar… mostrou-me caminhos belos, caminhos ousados e fantásticos; ensinou-me a ter prazer em voar alto e conhecer um mundo; ensinou-me a querer ver o mundo; ensinou-me sobre os prazeres da vida; ensinou-me a sentar e somente ver o tempo passar; ensinou-me apenas desfrutar um pouco mais da vida. O novo mundo que ela me apresentou apenas me fez ver que eu nada sabia sobre o que era viver a felicidade. Mas além do novo mundo que ela me abria a cada novo vôo ela também me ensinou a ser eu! Ela me ensinou a mostrar ao mundo o meu jeito, expor a minha face e não ter medo de guardá-la só para mim. Ensinou-me a ter minha autenticidade e dizer simplesmente quem eu era. Aos poucos as cores tomaram formas para mim. Ela ensinou a me defender de tudo e até mesmo de mim. E quando tudo parecia que em ruínas ela me ajudava a arrumar.

Mas aquela borboletinha incrivelmente maravilhosa de alguma forma se prendeu ao meu jardim. Por mais belos e longínquos que eram nossos vôos nos sempre voltávamos e aprisioná-la ao meu jardim já não era mais correto. Ela sempre amava me fazer voar e eu a ela, mas o sol já não mais brilhava intensamente em teu sorriso! E o belo sorriso da borboletinha foi se perdendo e se perdendo…

Os meus erros foram um castigo! A minha vida foi um erro! E a borboletinha do meu jardim foi ficando triste e mais triste. Por mais que eu pensasse, eu simplesmente sabia que eu nunca teria coragem de sair do meu jardim e voar os vôos mais altos que trariam a felicidade pura minha delicada borboletinha.

Então por amor eu aprendi a voar; então por amor eu também precisei libertar. Eu tinha que deixar a minha linda borboleta voar para longe. Quão cruel seria eu tirar a felicidade de quem me ensinou a felicidade? Então eu aprendi sobre o amor! Então eu perdi o amor…

O amor dói e é uma dor profunda que sangra e não para… não há remédio e não há cura. Aos olhos a cura pode estar simplesmente ali, mas as cicatrizes e marcas do passado jamais permitirão isso aos fracos. Então eu perdi o amor… eu perdi para o amor…

Olho para meu jardim… ele já não floresce mais… olho para o céu e vislumbro o quanto ele irá brilhar o sonho de um outro sonhador e fazer florescer o jardim que a bela borboleta um dia pousar.

Não acreditar no amor é exatamente com morrer, mas morrer não significa deixar de amar,  eternizei, por isso sempre…

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Essas palavrinhas…

Novamente lá estava eu, em meio ao transito caótico da metrópole, sempre se livrando dos infortúnios dos péssimos condutores e a má engenharia de tráfego a qual estamos inerentes. Sinceramente eu acho que estou vivendo em linhas contrárias, pois quanto mais imprudência eu vejo, menos paciência eu tenho.

E foi justamente por uma dessas faltas de paciência que ocorreu um fato muito engraçado, bastou um desses condutores imprudentes fazer uma tremenda besteira no transito para que eu tivesse vontade de explodir aos brados, porém antes de pronunciar caóticos palavrões, lembrei imediatamente que estava com a Gigi e a Giuli no carro, e isso foi a fração de segundos que me fez segurar por instantes meu brado. Mas aquilo ficou entalado na garganta o que me fez descarregar toda aquela energia apenas pronunciando uma palavra em voz branda: “Prostituto!!!!”.
Realmente achei que na hora essa palavra não faria o menor efeito possível, porém para minha surpresa e um acordo monetária o qual fiz com minhas pequenas (a cada palavrão pronunciado eu daria 50 centavos para elas) houve uma ligeira discussão no carro: A Gigi muito esperta denunciou na hora “Você falou um palavrão!!”. Antes mesmo que eu pudesse argumentar algo fui prontamente defendido pela pequenina Giuli “Não é não!”. Fiquei surpreso.

Mas a Gigi não se deu por vencida, e voltou a afirmar que era, sendo novamente repreendida pela Giuli, que se seguiu de uma notável e hilária explicação “Não é não, você não se lembra que nos fomos outro dia passear lá no Prostituto… Prostituto Butantã??” Nem preciso dizer o quando nos deliciamos em gargalhadas no carro e magicamente todo nervosismo já havia dado lugar para o bom humor de todos e ainda acabei economizando 50 centavos.

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A única testemunha

A chama das velas e o perfume delicado do incenso imperam no ambiente; a sensualidade e a magia tomam formas na nudez dos corpos; o beijo apaixonado arde ao toque dos lábios e as suaves mordidas saciam a fome intensa da paixão;

Uma única testemunha revela os segredos e grava cada minuciosidade de movimento; o flamejar das luzes refletem no espelho uma dança de sombras que se misturam; a idêntica tonalidade de pele mistura os corpos em uma única criação;

O espelho vitoriano revela à penumbra a sensação de ser visto; uma tímida bisbilhotada; uma pequena espreitada; se revela uma insinuante janela que não para mais de ser observada; um quadro em movimento cheio de desejo e prazer que não cansa de ser visto;

A cada nova imagem naquele quadro, detalhes são gravados; de testemunha se torna cúmplice de uma paixão; participa, opina, revela; se faz tão desejado que não há mais como desviar os olhares; não há como não desejar ver e ser visto;

Como em uma dança em que cada movimento conta; sob os olhares atentos daquela única testemunha; um show de performace se apresenta para uma seleta platéia; sedução e perversidades se desprendem ao ritmo quente das chamas flamejantes;

Os corpos exauridos se abatem sobre a maciez; o brilho acetinado conforta sua criação ensandecida de sensualidade; as sombras das velas de aquietam; a cumplicidade daquele espelho agora apenas observa; única testemunha que tudo gravou; agora apenas desfruta da sua magia de movimentos; e contempla o amor daqueles corpos que juntos sonham abraçados!

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A vingança da minha Mãe…

Depois da última historinha de infância que eu relatei, muitos me perguntaram o quão santinho eu devia ser… pois bem, a vingança veio pela minha própria Mãe (quem diria hein!) que postou comentário sobre uma das minhas centenas de artes… vai aqui então o relato pelas próprias palavras dela! Meu lado malévolo…

Olha só, quem rir está perdido, hein!

“Certa vez eu tive que sair para fazer alguma coisa que não me lembro bem o que era, mas tive que deixar você (eu) e suas irmãs, sozinhos.

Onde eu fui não era muito longe, e vocês não eram tão pequenos como na história anterior. A vizinha foi chamada (ela não foi bem chamada, ela apareceu pelos gritos das minhas irmãs), e você estava no chão com uma faca enterrada no braço, toda cheia de sangue… ela ficou muito assustada depois que suas irmãs começaram a chorar.

Na realidade a faca estava no sovaco, e o sangue era Catchup (groselha, porque eu nem gostava do cheiro de Catchup).

E eu só fiquei sabendo dessa história quando vocês já eram grandes (ainda bem, senão…kkk).”

Pela minha Mãe (com as devidas correções atemporais).

Cruel isso hein!

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Brincadeira de criança

Um dia desses me ocorreu um evento que aconteceu há muito… muito tempo atrás…

Minha mãe sempre foi uma pessoa muito prendada e cuidava com extremo zelo da nossa casa. Dentre suas rotinas de limpeza, periodicamente ela passava cera nos pisos da cozinha e logo em seguida usava a enceradeira para deixá-lo lustroso. Morávamos em um sobrado, daqueles antigos, cuja cozinha era imensa. Obviamente que não lembro com os detalhes exatos, mas certo dia enquanto minha mãe assistia a novela da noite, surge a porta que ligava a sala a cozinha minha irmã, com seus 2 ou 3 anos de idade, completamente lambuzada de margarina até o cabelo, e feliz da vida anunciando para minha mãe: “cabei… cabei”.

Minha mãe surtou daquele tipo “O que você fez?”… tal espanto me fez disparar como um foguete para ver o que havia acontecido, e ao primeiro passo no piso da cozinha foi o mesmo que pisar no gelo… escorregando até a outra ponta da cozinha!

Sim! Minha irmã havia realmente acabado com dois potes inteiros de margarina de 1 kg, encerando, ou melhor, “untando” todo o chão da cozinha! Com certeza minha mãe devia estar chorando, ou quase… pior que isso agora eu estava untado também. Pelo menos no que diz respeito a “deixar liso” o efeito foi praticamente idêntico ao da cera.

Engraçado ver minha mãe contando, que ela colocou, eu e minha irmã, sobre a mesa da cozinha, só que como estávamos meio “amanteigados”, ela não sabia se limpava o chão ou nos segurava para não cairmos…

***

Ainda houve uma vez em que minha irmã resolveu ajudar a minha mãe mais uma vez e lavou a roupa no vaso sanitário do banheiro… até que tudo bem, se não fosse contar que a roupa já estava lavada e passada, apenas esperando para ir para as gavetas…

Definitivamente naquela época minha mãe não devia compartilhar do ditado popular “toda ajuda é bem vinda”!

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